Milhares na rua <br> em toda a Alemanha
Cem mil pessoas saíram às ruas em várias cidades alemãs, dia 12, em reposta às manifestações semanais de cariz xenófobo e racista promovidas pelo denominado movimento Pediga.
Alemães mobilizam-se contra o populismo fascista
Em Dresden, Leipzig, Munique, Hanover, Rostock, Berlin, Sarrabruck e outras cidades germânicas, pelo menos uma centena de milhar de alemães, segundo os cálculos das autoridades, participaram nas acções de massas convocadas para repudiar as manifestações que os proclamados Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente (Pediga) têm vindo a promover, desde Outubro, em Dresden.
Na segunda-feira, pela primeira vez, o movimento racista e xenófobo convocou uma iniciativa para Leipzig, mas o número dos que marcaram presença na contra-manifestação realizada sob o lema da convivência multicultural superou-a em mais de dez vezes.
O Pediga já concretizou 12 concentrações, 11 das quais em Dresden, advogando a incompatibilidade do Islão com os valores europeus da democracia, e considerando a imigração um risco para a civilização Ocidental. Rejeita, no entanto, as acusações de xenofobia, racismo e neo-nazismo, e na amálgama de argumentos, o movimento usa mesmo a palavra de ordem da contra-revolução na República Democrática Alemã: «nós somos o povo».
Pasto fértil
Em Berlim surgiu já o Baergida, ramificação do Pediga que parece alastrar no território insuflado pela manipulação dos recentes acontecimentos em França. Isto apesar de um grupo de cartonistas gauleses, entre os quais um membro da redacção do Charlie Hebdo, ter apelado ao povo alemão para que não caia na armadilha islamofóbica e rejeite expressões de ódio, ignorância e violência.
Disseminação da intolerância que chegou também a Oslo, na Noruega, onde um grupo de anti-islâmicos se juntou igualmente na segunda-feira, 12. Manifestações de igual cariz estão agendadas para a Áustria, no final de Janeiro, e para a Suíça, em meados de Fevereiro, todas contra a imigração e pela preservação das identidades nacionais e europeia.
Um terreno perigoso e pasto fértil para o populismo fascista, contra o qual se têm mobilizado e prometem continuar a mobilizar os democratas e progressistas alemães. Que o fizeram no dia 12, segunda-feira, mas também no dia 10, sábado, quando pelo menos 35 mil pessoas desfilaram em Dresden contra o Pediga. A marcha terminou frente à catedral da cidade, símbolo da resistência à barbárie porque foi reconstruida, com donativos de todo o mundo, depois da força aérea inglesa e norte-americana a terem bombardeado, num ataque sem qualquer justificação estratégica militar que, entre 13 e 15 de Fevereiro de 1945, deixou em escombros aquela que era considerada a «Florença do Elba».